14 março, 2019
Um parente de uma vítima do acidente de avião da Ethiopian Airlines Flight ET302 joga sujeira em seu rosto enquanto ela sofre no local do acidente, perto de Addis Abeba, na Etiópia.
Em 10 de março, o voo ET302 da Ethiopian Airlines, um Boeing 737 MAX, desapareceu do radar seis minutos após a decolagem do aeroporto de Adis Abeba e caiu em um campo, matando todas as 157 pessoas a bordo. O impacto foi tão grande que os dois motores foram enterrados em uma cratera de 10 metros de profundidade. Uma semana após o acidente, caixões vazios foram enterrados em uma cerimônia na Catedral da Santíssima Trindade, em Adis Abeba, pois as vítimas não foram identificadas. Autoridades deram aos parentes sacos de terra do local do acidente. Em 14 de novembro, oito meses após o acidente, o local do impacto foi coberto e os restos não identificados de vítimas foram enterrados em fileiras de caixões idênticos. Comparações foram feitas com o acidente de uma aeronave Lion Air, também um 737 MAX, 12 minutos após a decolagem de Jacarta em outubro de 2018. Países em todo o mundo, inicialmente com exceção dos EUA, aterrou o 737 MAX. Os primeiros relatórios mostraram que os pilotos foram incapazes de impedir o avião repetidamente de mergulhar, apesar de seguir os procedimentos recomendados pela Boeing. Parecia que em ambos os casos os pilotos estavam lutando para lidar com um sistema de segurança automatizado projetado para impedir a estolagem, que repetidamente empurrava o nariz do avião para baixo. Parecia que o sistema estava sendo ativado, possivelmente devido a um sensor com defeito, mesmo que nada estivesse errado. Mais tarde, descobriu-se que os pilotos da American Airlines haviam confrontado a Boeing sobre possíveis problemas de segurança com o MAX. A Boeing resistiu às ligações, mas prometeu uma correção de software, que não havia sido feita no momento em que o voo ET302 caiu. Os aviões permaneceram aterrados em 2020.
Mulugeta Ayene.
Com o anseio veemente de alcançar determinado objetivo, de obter sucesso e aspiração, grandes (e pequenas) empresas tendem a agir de forma egoísta, aonde o lucro está acima da vida, e não seria diferente na The Boeing Company, uma corporação multinacional norte-americana de desenvolvimento aeroespacial, aonde o lucro custou 346 vidas.
Os investigadores de segurança aérea divulgaram um relatório intermediário sobre os papéis desempenhados pela Boeing, pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e pela Ethiopian Airlines, aonde constatou que os pilotos do 737 MAX não receberam treinamento adequado do fabricante da aeronave, também determinou que o MCAS da Boeing, ou Sistema de Aumento de Características de Manobras, que empurrou agressivamente o nariz do avião, era "vulnerável a ativação indesejada", e um relatório de congresso dos EUA acusou Boeing de ocultar informações cruciais da FAA.
Em esclarecimentos a Boeing disse apenas que irá sempre contribuir com os investigadores, e que seus pensamentos e orações estão com as famílias das vítimas, além dos 100 milhões “para ajudar” as famílias e as comunidades afetada, disse também que medidas de segurança estão sendo fortalecidas para a aeronave Boeing 737 MAX entrar em uso novamente em meados deste ano.
Realmente é necessário a morte de 346 pessoas para se dar conta que medidas de segurança devem ser fortalecidas? É necessária a morte de 346 pessoas para os investigadores de força aérea descobrirem que os pilotos não possuem o treinamento adequado? 100 milhões é o preço das vidas perdida?
Por Ana Caroline O. Sena.
