Dialogando sobre a Aprendizagem Criativa

 
 
Imagem de Elmara Souza
Caítulo 4 - Dialogando sobre Pares
por Elmara Souza - sexta, 6 jul 2018, 13:26
 

Vamos continuar dialogando? Agora, após ver o vídeo e ler o capítulo 4 do livro Lifelong Kindergarten Cultivating Creativity through Projects, Passion, Peers and Play , o que podemos pensar o P de PARES na perspectiva da AC? E no trabalho dos Centros Juvenis, qual a importância do trabalho em grupo, de compartilhar com o outro a aprendizagem ou consturir junto com o outro novos saberes? O que podemos destacar nesse capítulo? Qual a citação que, para você, fez gerar uma pergunta?

A interação nesse fórum é fundamental para que possamos aprender e ensinar mais e melhor sobre AC!

 
Imagem de Alice Irigoyen
Re: Caítulo 4 - Dialogando sobre Pares
por Alice Irigoyen - domingo, 8 jul 2018, 14:05
 

Olá

Penso os PARES na perspectiva da AC como mais uma maneira de ampliar os conhecimentos, compartilhar ideias, ultrapassar fronteiras que só não seria possível. Desenvolver um projeto em parceria, onde o projeto é de interesse comum entre os parceiro, reflete num esforço colaborativo, em aprender com o outro e no empenho para o desenvolvimento/aplicação/aperfeiçoamento do projeto. Mesmo que os parceiros tenham interesses distintos dentro de um mesmo projeto, as ações coletivas geram conhecimentos.

Durante a leitura, percebi também a interferência da organização do espaço no trabalho em pares, seja ele físico ou virtual. Esta organização ou disposição de móveis e equipamentos pode facilitar e incentivar o desenvolvimento de projetos em pares ou apenas colaborações pontuais de outros participantes do espaço.  

Para os Centros Juvenis, que se trata de uma rede, como não pensar em construirmos colaborativamente? Acredito que os pares nesta perspectiva da rede de Centros Juvenis, é questão de sobrevivência dos Centros. O diferencial de um trabalho em rede, está  justamente no compartilhamento que deve ocorrer para que seja de fato um rede. Números, ou quantidades não fortalecem a rede de CJ se o compartilhamento e a colaboração não estiverem consolidadas como rede. É trabalho coletivo e o alinhado das ações que fortalece a rede.

Nos cursos, também acho que estamos muitos restritos no conceito de trabalho em equipe. Apesar de o aluno ter a possibilidade de escolha do que ele quer estudar ou desenvolver  e com quem, ainda estamos presos aos pares que estão conosco em sala: apenas os “colegas do lado”, por vezes de outros cursos. No entanto, hoje, com as facilidades de comunicação, deveríamos ampliar os horizontes quando se trata de parcerias.

Na incubadora percebo um pouco mais a presença de pares, mas ainda com possibilidades de ampliação.

Acho que o conceito de pares na AC se aproximou das nossas ações nos grupos que foram selecionados para a Maratona Samsung - UNICEF. Os grupos foram formados por professores e alunos do CJ e de Instituições de Ensino Superior. A exemplo, gostaria de citar a equipe…(esqueci o nome - Desculpa Dri!), que é composta pela professora Adriana, pela estudante Márcia do CJ e por três estudantes da USP. A equipe completa não terá nenhum encontro presencial. Os encontros acontecem semanalmente, o trabalho está sendo desenvolvido por uma equipe, onde a maioria dos participantes não se conhecem pessoalmente, mas tem interesses em comum.

Citação

“Nossas ideias atuais sobre parcerias, colaboração e comunidade são muito diferentes do que eram em 1993. Dentre os quatro Ps da aprendizagem criativa, a parceria provavelmente foi a mais afetadas pelas novas tecnologias. Como veremos na próxima seção, as novas tecnologias transformaram dramaticamente como, quando e onde as pessoas colaboram e os papéis das parcerias no processo de aprendizagem.”

Este trecho me levou a um questionamento reflexivo

Diante das inúmeras possibilidades que temos atualmente para formação de parceria, o que nos falta para ampliarmos essa prática de trabalho colaborativo tanto na rede quanto nos curso e incubadoras? Talvez força de vontade? Ou resistência? Peço desculpas pelo “força de vontade”,soa um pouco ofensivo no primeiro momento, mas as vezes vejo situações que me fazem refletir sobre isso. Temos conhecimento sobre a importância de um trabalho colaborativo, temos capacidade de desenvolver e muita vezes não levamos a sério a necessidade de trabalharmos coletivamente.

 BJS

Imagem de Elmara Souza
Re: Caítulo 4 - Dialogando sobre Pares
por Elmara Souza - domingo, 8 jul 2018, 15:14
 

Ótimas reflexões, Alice.

O trabalho com os PARES na aprendizagem criativa, talvez seja o P mais complexo dentre os quatro Ps. Apesar de sabermos teoricamente que aprendemos mais e melhor com o outro, na prática, muitas vezes, essa potência do trabalho coletivo não se efetiva. A produção coletiva, a prática da inteligência coletiva, a construção com o outro exige despendimento, respeito à diferença, responsabilidade, alteridade... 

Quando fazemos um trabalho coletivo, como essa formação/planejamento que estamos propondo em ambiente virtual de aprendizagem é preciso diálogo constante. Esse diálogo está intimamente ligado à concepção de alteridade. A alteridade, nesse caso, não se limita à consciência da existência do outro, mas contempla, também, o pertencimento e o estranhamento. No AVA, por exemplo, o sentimento de pertencimento pode favorecer a participação, a interação nos espaços coletivos e a produção de novos conhecimentos. Na medida em que as pessoas são afetadas pela participação do outro, pode ocorre o agenciamento do desejo, ou seja, quanto mais as pessoas participam, mais o outro tende a participar. O inverso também acontece. Quanto mais esvaziado o AVA, mais o desejo tende a não ser agenciado. Vivemos um pouco disso nesse ambiente. Que subjetividades estão sendo construidas aqui?

Claro que essa perspectiva não se limita aos espaços virtuais, acontece também nos espaços presenciais. Por isso é tão importante o engajamento de cada um para que a produção em REDE aconteça.

Finalizo aqui com uma frase de Deleuze que nos faz refletir sobre o nosso papel nas produções coletivas, seja com os nossos alunos ou com os nossos colegas.  

“Nada aprendemos com aquele que nos diz: faça como eu. Nossos únicos mestres são aqueles que nos dizem “faça comigo” e que, em vez de nos propor gestos a serem reproduzidos, sabem emitir signos a serem desenvolvidos no heterogêneo”.

Na construção em REDE é fundamental trabalharmos juntos, colaborativamente, uns aprendendo com os outros, emitindo signos que podem ser desenvolvidos no heterogêneo.

@braço @fetuoso,

Elmara

 

PS: O nome da equipe é CJCC BASP

Imagem de Karla Lima
Re: Caítulo 4 - Dialogando sobre Pares
por Karla Lima - segunda, 9 jul 2018, 00:44
 

Boa noite

 Creio que o trabalho em pares seja algo desafiador, já que por anos de escola regular foi trabalhado de forma equivocada e a supressão de singularidades ainda dificulta o compartilhamento. Com atenção a isso, vemos ao mesmo tempo o desafio, mas também a potencialidade. Já que, diferente do Pensador de Rodin, quando pensamos em conjunto geramos uma integração de ideais, paixões e habilidades, que agregadas podem nos levar além.

Outro ponto que chama atenção, é que para que isso ocorra de forma fluida, o espaço é importante, a dinâmica de sala ou espaço virtual, a liberdade de movimentos, um designer atrativo. Além deunir paixão e parceiros , de modo que os jovens não só trabalhem juntos, mas que foquem em projetos interessantes para eles.”

Essa junção de paixão e parceiros é o que também nos propomos nos Centros Juvenis, não apenas em sala de aula, mas como Rede. É o que nos diferencia e desafia cotidianamente. Pensar e construir maneiras efetivas de trabalharmos em conjunto, mesmo separados.

Nos cursos, a parceria ocorre de forma espontânea. Eles estão ali porque escolheram aquele curso e tem curiosidade ou mesmo paixão por aquela temática. A reunião de alunos de várias idades, séries e escolas diferentes propicia um quebra de paradigma, onde podem dialogar livremente sem entraves e explorar suas habilidades em grupos. Essa parceria poderia ser ampliada de diversas maneiras, e já é fortalecida na incubadora de projetos. Unirmos virtualmente o trabalho de alunos de diferentes Centros, seria um passo a se pensar, e creio que esse curso e o planejamento coletivo pode nos indicar caminhos para essa parceria. Para além de escolas diferentes, eles poderiam conhecer as experiências dos outros Centros, estabelecer novas amizades, realizar projetos e ações conjuntas. Me parece algo que poderia nos ajudar a fortalecer o nosso potencial como Rede.

Por fim, a citação do texto que me fez pensar em minha prática, foi essa:

“Para mim, o bom ensino envolve vários papéis diferentes que ajudam no aprendizado. Bons professores e mentores se adaptam facilmente aos papéis de catalisador, consultor, conector e colaborador.(...) • Catalisador . Na química, catalisadores acendem a "faísca" que acelera uma reação química. Da mesma forma, professores e mentores podem acender a faísca que acelera o processo de aprendizagem. • Consultor . Alguns mentores podem ser vistos como consultores técnicos, oferecendo dicas e conselhos sobre o uso de novas tecnologias. (...) Às vezes, mentores dão apoio emocional, ajudando membros a superarem suas dúvidas e lidarem com suas frustrações. • Conector . Professores e mentores não podem simplesmente dar aos alunos todo o suporte necessário. Portanto, uma parte importante do seu trabalho é conectar os alunos a outras pessoas com quem eles possam trabalhar e aprender.”

 

O texto só me dá a certeza que temos ainda muito a aprimorar em nossa prática.

Boa semana para todxs.

Imagem de Roberto Andrade
Re: Caítulo 4 - Dialogando sobre Pares
por Roberto Andrade - quarta, 18 jul 2018, 00:10
 

Este P na AC é fundamento. No CJ é legal quando a gente observa alunos de séries diferentes, escolas diferentes, compartilhando saberes, experiências e construindo juntos. As dificuldades ficam por conta do individualismo propagado na sociedade. 

Penso também que hoje os jovens vivem um momento especial, utilizando da tecnologia da comunicação, interagem com pessoas distantes a partir de sua casa. A escola é que não ampliou, mas eles vivenciam isso com uso da Internet. Aí tá a oportunidade para usar estes recursos para educação formal. 

O Scratch, o Minecraft e outros tantos recursos são compartilhados pelos usuários formando pares em espaços territoriais antes  não imagináveis. 

Imagem de Isa Souza
Re: Caítulo 4 - Dialogando sobre Pares
por Isa Souza - sexta, 27 jul 2018, 19:42
 

Pensando em Pares no Centro Juvenil não vejo a melhor forma de atividade colaborativa nos Centros do que o que o fazer coletivo. Nas nossas atividades complementares isso se concretiza partilhando os planos, a Oficina Reinvenção das Coisas como estamos aqui realizando e ao definir no plano descritivo os conteúdos associal que atividades podem ser feitas junto com as outras oficinas como esse ano já foi feito Por trâs da canção junto como do ato ao teatro e tribos urbanas.