Dialogando sobre a Aprendizagem Criativa

 
 
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Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Elmara Souza - segunda, 9 jul 2018, 11:23
 

 Agora é hora de compreender um pouco sobre o último P - PLAY (aprender brincando). Parece evidente que as crianças aprendem mais e melhor brincando, não é verdade? Mas, como desenvolver esse P nos cursos do CJ? que importância o brincar tem no trabalho com adolescentes e jovens do ensino médio? que estratégias podemos traçar para que o trabalho com esse P, assim como os outros, possam ajudar na proposta de uma educação diferente para os nossos alunos? Qual a relação do aprender brincando com a educação proposta nos CJ?

Que citação você destaca no texto/vídeo dessa semana? Por que você escolheu essa citação? Que ações ela te inspirou a fazer?

Vamos dialogar no AVA e tentar encontrar juntos caminhos melhores para uma educação inovadora.

 
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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Kaline Hora - segunda, 9 jul 2018, 12:47
 

A leitura dessa semana destaco a seguinte passagem:

"A exploração lúdica está na interseção entre brincar e fazer. Da mesma forma que pessoas não veem​ o valor das brincadeiras (é só uma brincadeira), várias não veem o valor das explorações (é só uma exploração sem objetivos muito definidos)." (pág. 5)

Essa frase em certos momentos me angustia, isto porque quando inserimos em nossas oficinas atividades voltadas para a brincadeira, em alguns momentos elas são interpretadas como "mera brincadeiras". Ainda me sinto um pouco "dentro da caixinha rsrsrs", porque em certos momentos, sinto dificuldade de explorar melhor esse lado lúdico.

Abraços,

 

Kaline

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Elmara Souza - segunda, 9 jul 2018, 22:49
 

Kaline,

Você tem razão. Na nossa sociedade, o brincar só é valorizado na educação infantil. A partir dai a educação começa a enquadrar as crianças e o brincar é deixado de lado, ou se resume aos momentos de área externa. Como o brincar pode ajudar na aprendizagem ao longo da vida? essa é uma questão importantes para investigarmos.

Alguns autores enfatizam que o adulto precisa brincar. O mundo “ilusório” é importante para o desenvolvimento e para a aprendizagem em todas as fases da vida. A palavra “ilusão” tem origem no latim ludere, tendo como o significado “brincar”.

Vamos dialogando.

@braço,

Elmara

 

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Karla Lima - terça, 10 jul 2018, 23:30
 

Boa noite

O texto me lembrou um dos dos nossos objetivos nos Centros Juvenis: "Aprender é divertido".  O brincar devolve ao jovem a naturalidade, a sensação de bem estar, a possibilidade de experimentar e mesmo de errar. Como já observado, a escola vem suprimindo essa ferramenta de aprendizagem e de fato é angustiante quando a brincadeira é banalizada e não vista como forma de aprender. A educação ainda está dentro de uma imensa caixa, é um processo abandoná-la.

Sempre abro espaço para o brincar nos planos de curso, seja um jogo da memória, de cartas ou uma brincadeira física, a produção de algo. Introduzir um conteúdo a partir do viés lúdico quebra as amarras de ser apenas transmissor, é possível se divertir enquanto observo os alunos avançarem em determinado assunto.  Mas ainda assim, creio que é um desafio oferecer algo que seja menos cercadinho e mais parquinho. Algumas estrategias são produtivas e outras não.

Por isso, a parte do texto que destaco é a seguinte:

"O processo de exploração lúdica é mais bagunçado. Os exploradores têm uma abordagem de
baixo para cima : eles começam pequenos, testam ideias simples, reagem ao que acontece,
fazem ajustes e revisam os planos. Eles normalmente seguem um caminho sinuoso e tortuoso
até a solução. Mas o que perdem em eficiência ganham em criatividade e agilidade. Quando
coisas inesperadas acontecem e novas oportunidades surgem, exploradores estão em uma
posição melhor e se aproveitam disso."

Sigamos explorando e experimentando.

 

 

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Elmara Souza - quarta, 11 jul 2018, 12:44
 

Pois é, Karla,

O brincar ainda está muito restrito à educação das crianças pequenas. Precisamos trazer essa ludicidade para as atividades ao longo da vida.

Lembro-me quando iniciei a minha carreira na educação quando tinha 15 anos (há muitooooo tempo kkkk). No primeiro ano como professora peguei uma turma de 4ª série (atual 5º ano) em uma escola municipal. Naquela época eu era praticamente da idade dos meus alunos, uma menina. A formação em magistério não me permitia BRINCAR com eles nas aulas, eu precisava "dar aulas", passar conteúdos, fazer atividades... havia uma cobrança, a turm precisava estar em silêncio. Mas, sempre fui muito inquieta e sempre busquei caminhos diferentes, desafiadores na educação. Então, naquele ano, lembro-me que eu convidava os alunos para irem para a minha casa brincar. Eu tinha vários jogos de tabuleiro, de montar... Muitas e muitas vezes passávamos horas brincando, inclusive nos fins de semana. Não sabia exatamente o que estávamos aprendendo (apenas brincávamos), mas aquela experiência me proporcionou criar fortes vínculos afetivos com os alunos. Hoje, sei que os alunos aprendiam muito mais naquelas brincadeiras do que na sala de aula. Boas lembranças!

Vamos dialogando.

@braço,

Elmara

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Alice Irigoyen - domingo, 15 jul 2018, 15:52
 

Bom dia

Brincar é divertido. Descontrai, traz alegria, estimula a criatividade e faz o tempo passar sem a gente perceber. Mas na medida em que os anos passam, as responsabilidades do dia a dia vão tomando lugar das brincadeiras, o encanto e a criatividade também vão se distanciando. Na escola não é diferente, a medida que os anos passam, as brincadeiras também se afastam. No entanto, numa perspectiva de aprendizagem criativa o fazer e o brincar são  também de suma importância para a formação de pensadores criativos. As explorações lúdicas reforçam o espiral da aprendizagem criativa: imaginar, criar, brincar, compartilhar,refletir, imaginar…

Para um trabalho diferente acho necessário relembrar do que foi discutido no capítulo anterior. Precisamos oferecer, pisos baixos, tetos altos e paredes amplas para nosso estudantes terem a possibilidades de experimentar, explorar se expressar a fim de tornarem-se pensadores criativos. Acredito também que o trabalho em projetos onde o estudante tem paixão pelo o que está desenvolvendo já os levaria automaticamente ao PLAY.

No CJ, percebo o pensar brincando nos cursos. Vou usar como exemplo dois cursos: Quadrinhos em Rede e Robótica. No curso de Quadrinhos os estudantes estão imersos num universo ficcional afetivo que os inspira a produções muito bacanas.Eles exploram o universo dos quadrinhos para criarem seus próprios personagens, roteiros e as mais variadas histórias.

Na robótica, as explorações lúdicas começam pela variedade de materiais disponíveis para os estudantes. Eles escolhem projetos, trabalham em equipe, experimentam, exploram, constroem, testam, modificam, mudam seus planos e metas conforme os acontecimentos. Por vezes, percebem a necessidade de abandono do projeto. O que não minimiza a aprendizagem adquirida ao longo do projeto que por algum motivo foi abandonado.

 

Vou citar uma frase do vídeo

“O pensamento criativo nasce das explorações criativas”

Esta frase me chama a atenção porque vivencio isto em casa com meu filho. Ele tem 3 anos e  gosta muito de construir coisas com caixa de papelão. Uma simples caixa vai de foguete espacial, passando por um carro de bombeiro, casa da vovozinha da história da Chapeuzinho Vermelho até uma simples garagem. Quando pegamos caixa, tesoura, cola, fita adesiva e lápis de cor parece qua a caixa “ganha vida”.

 Abraços

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Roberto Andrade - domingo, 15 jul 2018, 17:56
 

Neste capítulo, chama muito atenção o "cercadinho" e o "parquinho". A gente se engana as vezes no tipo de atividade e suas limitações e possibilidades. Esta comparação não deixa dúvida, comparação perfeita!

Ainda, chamou-me atenção planejamentos e explorações livres. Tenho forte tendência a segunda e as vezes me custa caro. 

Crianças com perfil padronizadoras e outras dramatizadoras, penso ser uma caixa muito restrita. Não concordo muito com isso não!

 

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Elmara Souza - domingo, 15 jul 2018, 22:47
 

Roberto, Alice,

Temos que construir nos CJ mais parquinhos e menos cercadinhos. Ainda temos muitas "aulas" nos nossos cursos. Precisamos avançar, precisarmos inverter a ordem e tornar os nossos alunos realmente protagonistas e os professores orientadores do processo de produção do conhecimento. Temos atividades muito interessantes nos Centros, a maioria já difere do cercadinho "escola", mas ainda temos um bom caminho para trilhar. Esse curso é uma chance que estamos tendo de debater essa ideias e tentar avançar em rede.

 

Roberto, você não acha que há diferentes estilos de brincar? no texto, o autor indica os padronizadores e os dramatizadores. Será que há outros estilos? Será que a classificação enquadra e não expande as possibilidades de perceber como se aprende brincando?

@braço,

Elmara 

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Roberto Andrade - quarta, 18 jul 2018, 00:21
 

Hoje vi jovens no curso reinvenção das coisas jovens brincarem. Tentei ver as categorias:padronizadora e dramatizadora não consegui, que bom!

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Elmara Souza - quarta, 18 jul 2018, 14:52
 

Roberto, colegas,

Pensarmos apenas nas categorias dos padronizadores e dramatizadores é restringir o próprio potencial de aprender do ser humano. Há vários estilos de aprendizagem. Há, inclusive, a teoria dos estilos de aprendizagem. Na Europa, em especial em Portugal e na Espanha, muitos pesquisadores se dedicam a esse estudo. 

Kolb definiu ainda na década de 1980 quatro estilos de aprendizagem:

(1)   o acomodador: cujo ponto forte é a execução, a experimentação;

(2)   o divergente: cujo ponto forte é a imaginação, que confronta as situações a partir de múltiplas perspectivas;

(3)   o assimilador: que se baseia na criação de modelos teóricos e cujo raciocínio indutivo é a sua ferramenta de trabalho; e

(4)   o convergente: cujo ponto forte é a aplicação prática das ideias.

Estudos atuais mostram outras categorias de estilos de aprendizagem. Segundo Melaré (2009), conforme Alonso e Gallego (2002) existem quatro estilos de aprendizagem: o ativo, o reflexivo, o teórico e o pragmático.

O estilo ativo

As pessoas em que o estilo ativo predomina, gostam de novas experiências, são de mente aberta, entusiasmadas por tarefas novas; pessoas do aqui e do agora, que gostam de viver novas experiências. Seus dias estão cheios de atividades: em seguida ao desenvolvimento de uma atividade, já pensam em buscar outra. Gostam dos desafios que supõem novas experiências e não gostam de grandes prazos. São pessoas de grupos, que se envolvem com os assuntos dos demais e centram ao seu redor todas as atividades. Suas características são: animador, improvisador, descobridor, arrojado e espontâneo.

O estilo reflexivo

As pessoas desse estilo gostam de considerar a experiência e observá-la sob diferentes perspectivas; reúnem dados, analisando-os com detalhes antes de chegar a uma conclusão. Sua filosofia tende a ser prudente: gostam de considerar todas as alternativas possíveis antes de realizar algo. Gostam de observar a atuação dos demais e criam ao seu redor um ar ligeiramente distante e condescendente. Suas principais características são: ponderado, consciente, receptivo, analítico e exaustivo.

O estilo teórico

São mais dotadas deste estilo as pessoas que se adaptam e integram teses dentro de teorias lógicas e complexas. Enfocam problemas de forma vertical, por etapas lógicas. Tendem a ser perfeccionistas; integram o que fazem em teorias coerentes. Gostam de analisar e sintetizar. São profundos em seu sistema de pensamento e na hora de estabelecer princípios, teorias e modelos. Para eles, se é lógico é bom. Buscam a racionalidade e objetividade; distanciam-se do subjetivo e do ambíguo. Suas características são: metódico, lógico, objetivo, crítico e estruturado.

O estilo pragmático

Os pragmáticos são pessoas que aplicam na prática as ideias. Descobrem o aspecto positivo das novas ideias e aproveitam a primeira oportunidade para experimentá-las. Gostam de atuar rapidamente e com seguridade com aquelas ideias e projetos que os atraem. Tendem a ser impacientes quando existem pessoas que teorizam. São realistas quando tem que tomar uma decisão e resolvê-la. Parte dos princípios de que “sempre se pode fazer melhor” e “se funciona significa que é bom”. Suas principais características são: experimentador, prático, direto, eficaz e realista.

https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/2999/3/70-228-1-PB%202.pdf

Muitos de nós agregamos vários desses estilos de aprendizagem, não é verdade? E os nossos alunos? Como podemos construir os nossos cursos para contemplar os estilos de aprendizagem dos nossos alunos?

Vamos dialogando.

@braço,

Elmara

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Roberto Andrade - sexta, 20 jul 2018, 01:43
 

Hoje vi um aluno experimentar seis linhas de programação sugeridas por nós e quando voltei para a equipe ele escreveu mais outras oito. Penso que é o estilo pragmático segundo Melaré. 

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Re: Capítulo 5 - Dialogando sobre aprender brincando
por Isa Souza - sexta, 27 jul 2018, 19:50
 

Play= Brincar é a grande descoberta para atrair estudantes para aprender de forma lúdica. Essa teoria é propagada nos quatro cantos mas como nossa formação foi muito programada, sem muita inovação não percebemos o quanto uma dinâmica contextualizada com o conteúdo faz a diferença em uma aula e perde o peso de algo monótono